Quando se fala de mentira em relacionamentos eu discordo dessa frase.
Como mulher, tenho que defender minha classe discorrendo nesse pequeno texto. Pretendo falar das mentiras dos homens.
Não é que a mentira tem a perna curta, ela até que é bem cumpridinha. Muitas vezes, ela acaba por ir longe.
O negócio é que as mulheres tem super poderes e sempre acabam descobrindo tudo. Visão de raio-x, premunições, olfato supermegaespecial para detectar mentiras...
Mas se temos tudo nas mãos, porque nos tornamos reféns desses amores mal correspondidos?
Aliás, sempre sabemos de tudo e mesmo assim não somos capazes de nos rebelar e travar guerra a essa corja de bandidos chamados homens.
Fica a minha dúvida. E tua também.
Nós temos super poderes sim, mas o que atrapalha é o poder da sensibilidade. Esse, quando se junta com aquele tal de Amor, só fazem besteira.
Dizem que o amor é o sentimento mais nobre e perfeito do universo. Mentira. Outra mentira cabeluda que os homens criaram para nos passar a perna.
O amor é cego e burro.
sexta-feira, 27 de julho de 2007
segunda-feira, 23 de julho de 2007
domingo, 1 de julho de 2007
Quando o estupro é inevitável...
A indiferença é tão desprezível e chula quanto esta frase. E de indiferença, incompetência e desrespeito os estuprados brasileiros estão fartos.
Nesta semana, alguns séculos depois de Maria Antonieta dizer para o povo comer brioche já que não tinha pão, a caricatura da rainha veio encarnar na sinhazinha Marta Teresa Smith de Vasconcelos Suplicy.
A repercussão de uma frase da ministra do turismo, Marta Suplicy é um exemplo de que nem tudo pode. O Estado, por dever, tem que zelar pelo bem estar da população. E não só zelar, mas também, fazer com que esse bem estar aconteça. Pois qualquer comunidade precisa de uma forma de governo que possa, ao menos, garantir o mínimo de justiça, igualdade e paz. O modelo da república presidencialista e representativa que garante, pelo menos na teoria, aos brasileiros esses direitos é uma piada. E povo, não acha graça nenhuma.
Já não basta ser indiferente, tem que ter escárnio. Já não basta roubar, tem que estuprar e pisar na cara para mostrar quem é que manda. Dormir no piso do aeroporto, perder enterro de pai e de mãe por causa de atraso nos vôos é um mero detalhe. Minha gente, relaxa e goza. Se lhe deram a palavra dizendo que iriam representá-lo para decidir o melhor por você e isso não aconteceu, relaxa e goza.
E por falar em palavra, esta está por baixo. Além de não cumprida, é mal usada.
E não é de hoje. Frases infelizes são o que não faltam na história política do nosso Brasil.
Fernando Henrique Cardoso se enrolou todo ao comentar sobre a reforma da previdência: “Fiz a reforma da Previdência para que aqueles que se locupletam da Previdência não se locupletem mais, não se aposentem com menos de 50 anos, não sejam vagabundos em um país de pobres e miseráveis”, em maio de 1998.
E também teve o Ciro Gomes que ficou com a moral mais do que baixa com o eleitorado feminino na campanha de 2002. Ele declarou que o papel de sua mulher (Patrícia Pillar) durante a campanha era o de dormir com ele.
Aliás, não podemos esquecer-nos de uma das frases mais célebres que já saíram da boca de políticos. “Tá bom, tá com vontade sexual, estupra, mas não mata”. Esta é de Paulo Maluf, quando nos anos 90 opinava sobre pena de morte em seminário na Faculdade de Ciências Médicas, em Belo Horizonte.
Viventes de um Brasil anárquico: relaxai e gozai. Depois se esquece tudo. Os mesmos são sempre votados. Além de memória curta, sofremos de “falta de opção”.
A recomendação da então ministra que por sinal, também é sexóloga, pode parecer bem-humorada. Mas não! É puro cinismo. Verdade mesmo.
Acho que Marta errou o foco. Em ocasião para a ministra ter voz, ela se portou como terapeuta sexual. Imaginou que em seu divã estivesse uma paciente descompromissada ou então, estressada por futilidades. Mas, sua fala foi transportada para a televisão e milhões, sentados nos sofás de suas casas, no trabalho, no metrô e até no saguão e aeroportos, ouviram o conselho.
Pensando bem, tem horas que só resta relaxar e gozar. Não tem outro remédio. Mas essa, definitivamente não era a hora certa.
Não se trata de desrespeito porque somos todos carolas e jamais ouvimos e proferimos frases como esta, ou então porque é feio falar do gozo no sentido sexual, mas, porque é triste enxergar como o descaso dos governantes é tão cruel.
Deixados de lado. Não só quanto ao tema “crise aérea”, que por sinal não tem fim, mas em relação a tudo. Burocracia, cargas tributárias exorbitantes, falta de saúde pública, educação básica bem básica.
E quando reclamamos direitos, ouvimos frases infelizes que só nos confirmam o quanto somos trouxas. A frase da vez foi de Marta Suplicy e chegou a todos em forma de bofetada. E todos sabem que muitas palavras ditas em momentos errados machucam mais do que tapas. Tapas ferem o corpo, palavras ferem a alma. As almas brasileiras sangram.
Nesta semana, alguns séculos depois de Maria Antonieta dizer para o povo comer brioche já que não tinha pão, a caricatura da rainha veio encarnar na sinhazinha Marta Teresa Smith de Vasconcelos Suplicy.
A repercussão de uma frase da ministra do turismo, Marta Suplicy é um exemplo de que nem tudo pode. O Estado, por dever, tem que zelar pelo bem estar da população. E não só zelar, mas também, fazer com que esse bem estar aconteça. Pois qualquer comunidade precisa de uma forma de governo que possa, ao menos, garantir o mínimo de justiça, igualdade e paz. O modelo da república presidencialista e representativa que garante, pelo menos na teoria, aos brasileiros esses direitos é uma piada. E povo, não acha graça nenhuma.
Já não basta ser indiferente, tem que ter escárnio. Já não basta roubar, tem que estuprar e pisar na cara para mostrar quem é que manda. Dormir no piso do aeroporto, perder enterro de pai e de mãe por causa de atraso nos vôos é um mero detalhe. Minha gente, relaxa e goza. Se lhe deram a palavra dizendo que iriam representá-lo para decidir o melhor por você e isso não aconteceu, relaxa e goza.
E por falar em palavra, esta está por baixo. Além de não cumprida, é mal usada.
E não é de hoje. Frases infelizes são o que não faltam na história política do nosso Brasil.
Fernando Henrique Cardoso se enrolou todo ao comentar sobre a reforma da previdência: “Fiz a reforma da Previdência para que aqueles que se locupletam da Previdência não se locupletem mais, não se aposentem com menos de 50 anos, não sejam vagabundos em um país de pobres e miseráveis”, em maio de 1998.
E também teve o Ciro Gomes que ficou com a moral mais do que baixa com o eleitorado feminino na campanha de 2002. Ele declarou que o papel de sua mulher (Patrícia Pillar) durante a campanha era o de dormir com ele.
Aliás, não podemos esquecer-nos de uma das frases mais célebres que já saíram da boca de políticos. “Tá bom, tá com vontade sexual, estupra, mas não mata”. Esta é de Paulo Maluf, quando nos anos 90 opinava sobre pena de morte em seminário na Faculdade de Ciências Médicas, em Belo Horizonte.
Viventes de um Brasil anárquico: relaxai e gozai. Depois se esquece tudo. Os mesmos são sempre votados. Além de memória curta, sofremos de “falta de opção”.
A recomendação da então ministra que por sinal, também é sexóloga, pode parecer bem-humorada. Mas não! É puro cinismo. Verdade mesmo.
Acho que Marta errou o foco. Em ocasião para a ministra ter voz, ela se portou como terapeuta sexual. Imaginou que em seu divã estivesse uma paciente descompromissada ou então, estressada por futilidades. Mas, sua fala foi transportada para a televisão e milhões, sentados nos sofás de suas casas, no trabalho, no metrô e até no saguão e aeroportos, ouviram o conselho.
Pensando bem, tem horas que só resta relaxar e gozar. Não tem outro remédio. Mas essa, definitivamente não era a hora certa.
Não se trata de desrespeito porque somos todos carolas e jamais ouvimos e proferimos frases como esta, ou então porque é feio falar do gozo no sentido sexual, mas, porque é triste enxergar como o descaso dos governantes é tão cruel.
Deixados de lado. Não só quanto ao tema “crise aérea”, que por sinal não tem fim, mas em relação a tudo. Burocracia, cargas tributárias exorbitantes, falta de saúde pública, educação básica bem básica.
E quando reclamamos direitos, ouvimos frases infelizes que só nos confirmam o quanto somos trouxas. A frase da vez foi de Marta Suplicy e chegou a todos em forma de bofetada. E todos sabem que muitas palavras ditas em momentos errados machucam mais do que tapas. Tapas ferem o corpo, palavras ferem a alma. As almas brasileiras sangram.
sexta-feira, 22 de junho de 2007
MUSIQUINHA DO MOMENTO...
O Que Eu Também Não Entendo
Jota Quest
Composição: Fernanda Mello e Rogério Flausino
Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo
Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo e não precisar fingir
É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir
Já pensei em te largar Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito mas com você eu posso ser
Até eu mesmo que você vai entender
Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranquilo, tranquilo
Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também
Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito mas com você eu posso ser
Até eu mesmo que você vai entender
Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranquilo, tranquilo
Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também
Jota Quest
Composição: Fernanda Mello e Rogério Flausino
Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo
Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo e não precisar fingir
É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir
Já pensei em te largar Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito mas com você eu posso ser
Até eu mesmo que você vai entender
Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranquilo, tranquilo
Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também
Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito mas com você eu posso ser
Até eu mesmo que você vai entender
Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranquilo, tranquilo
Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também
domingo, 17 de junho de 2007
AMIGOS
Servem para tudo. E quando eu falo em tudo, é tudo mesmo.
Já li, não lembro quando nem onde, que pelo "signo" sou uma pessoa de poucos amigos, mas quando me disponho a fazer amigos a amizade é profunda.
Falo pra vocês, ou pra ninguém (não acredito que alguém perca tempo em ler esse blog), que sou tímida quando não conheço a pessoa direito. Tenho sempre meu pé muito atrás, caso seja rejeitada, logo fujo.
Porque estou falando isso?
Porque estou feliz e sei que tenho amigos. Para me dar força e amor em todos os momentos
Amo muito meus amigos.....
LI, CAROL e PAULA. Vocês são especiais*******************
Já li, não lembro quando nem onde, que pelo "signo" sou uma pessoa de poucos amigos, mas quando me disponho a fazer amigos a amizade é profunda.
Falo pra vocês, ou pra ninguém (não acredito que alguém perca tempo em ler esse blog), que sou tímida quando não conheço a pessoa direito. Tenho sempre meu pé muito atrás, caso seja rejeitada, logo fujo.
Porque estou falando isso?
Porque estou feliz e sei que tenho amigos. Para me dar força e amor em todos os momentos
Amo muito meus amigos.....
LI, CAROL e PAULA. Vocês são especiais*******************
quinta-feira, 14 de junho de 2007
O jeitinho brasileiro
Quando se fala em corrupção imagina-se, imediatamente, políticos corruptos que circulam por aqui ou pelos lados do planalto central.
Isso é porque o Brasil está imerso em uma imensa crise ética. Mas não é apenas no congresso ou no senado. A crise está em todas as esferas da sociedade brasileira. Pode-se dizer que isso não é apenas fruto das falcatruas vigentes em Brasília, mas, resultado de um processo histórico que se deu ao longo de 500 anos.
Costuma-se dizer que o comportamento corruptor da sociedade é apenas resultado da falta de exemplo dos governantes. É possível ser o contrário. E seria hipocrisia não admitir isso. O Estado é que é o reflexo da sociedade. E a sociedade está apática. Não tem ética e nem vontade de encontrá-la.
Reconhecido nacionalmente como a forma especial que os brasileiros têm para resolver seus problemas, o jeitinho, foi transformado em rito e sua prática se amplia para ser utilizada em todas as situações conflitantes da realidade social.
Desde o principio, na terra de Santa Cruz, portugueses já colocavam em prática a troca de favores para driblar as dificuldades. Invadiram a terra dos nativos e os encantaram com pentes e espelhos enquanto saqueavam a terra alheia. E com o passar dos anos, os padrões culturais da vida colonial brasileira se reproduziram da mesma forma.
A construção da sociedade é um exemplo de como as relações sociais fundamentam a prática do jeitinho, carinhosamente chamado de brasileiro. A sociedade brasileira é coletivista por natureza e não foi fundada no indivíduo, mas nas relações pessoais.
Bom por um lado, o brasileiro não é exclusivamente egoísta. Por outro, vivencia-se somente aquilo que as suas relações pessoais lhe permitirem conseguir.
A desigualdade do país dá a idéia – e não só a idéia, mas a real formação – de injustiça social. E essa situação cria possibilidades para se formar mecanismos úteis a fim de driblar essa injustiça. A própria deficiência do sistema jurídico acaba transmitindo o desejo de caminhar na contramão das normas, quando convém. Tem sempre um jeitinho para fugir da burocracia, das filas intermináveis, da dificuldade para passar em um concurso público.
O jeitinho brasileiro é a transgressão suave já institucionalizada e aceita como característica fundamental e indispensável para o simpático e alegre brasileiro legitimar o seu poder diante dos outros. O seu problema é sempre mais urgente que o do vizinho. E isso, claro que somente isso, justifica que você fure a fila do supermercado.
O componente das relações pessoais que envolvem “capital” são interessantes. Acumula-se em termos de contato e influência. O antropólogo Roberto Da Matta diria: Seria como se as relações pessoais entre nós desempenhassem o papel do Judiciário nos países individualistas e igualitários. Como cabe ao Poder Judiciário dirimir conflitos a partir dos casos concretos, teríamos, no nosso caso específico, uma resolução “informal”, sem burocracia e rápida: através da “carteirada”, do jeitinho, da ameaça velada e do “você sabe com quem está falando?”
Da Matta chama a atenção para um dado que seria peculiarmente brasileiro na noção de pessoa: a troca de favores, o jeitinho, a “carteirada”. Em duas justificativas, a tendência à corrupção e à refração da lei geral. O mundo da política seria a esfera privilegiada dessa inclinação nacional, a qual não passaria despercebida aos “indivíduos”, aos homens comuns sem meios de troca nesse comércio generalizado de favores. O resultado não passa, porém, despercebido à massa brasileira que vê na atividade política um jogo fundamentalmente sujo, onde existe de tudo, menos ética.
Tem-se exemplos da própria mídia personificando a figura do malandro como um camarada muito esperto e que merece respeito. Nas novelas brasileiras sempre tem alguém assim. Durante a trama se envolvem em conflitos e através do jeitinho resolvem seus problemas pessoais. Ele viabiliza a utilização dos recursos ilícitos de uma maneira amistosa. Neste sentido, permanece como reforçador de comportamentos que visam ao benefício próprio, apontado geralmente, como justificativa para a institucionalização da malandragem.
Esse mecanismo de navegação social pode ser comparado ao uso das estratégias de negociação nos contratos sociais, em muitas vezes equiparado a um ajuste social para superar as dificuldades financeiras das camadas desprivilegiadas e a aceitação de certas transgressões como forma de protesto.
Nas massas e no individualismo há paradoxo quanto a esse assunto. Os agentes sociais se contradizem e relativizam a corrupção. Pode-se falar mal do governo, ou do próprio reitor da universidade em que trabalha, dizendo este ser um corrupto e, ao mesmo tempo, “furtar” o suco de um colega de trabalho. Também tem aquele que vive de passar cheque e depois “sustar” por “desacordo comercial”. O governante é chamado de corrupto quando faz caixa dois, desvia dinheiro público e sonega imposto, e de amigo quando manobra suas influências para abocanhar uma vaga no funcionalismo público. Nós, quando sonegamos impostos, estamos apenas nos protegendo de um Leão voraz.
Corrupção não está apenas no campo político, mas em toda a sociedade. E seria muita hipocrisia não admitir isso.
O Brasil enfrenta uma crise ética de grandes proporções e desta forma o desafio de preservar a integridade moral e o vencimento de obstáculos tornou-se necessidade constante na vida em coletividade.
Em função da prática generalizada, que faz parte do nosso dia-a-dia, a rigidez da honestidade acabou sendo domesticada e agora assume novas proporções. E esse tipo de atitude, que vem se expandindo, contribui para aumentar a desigualdade social e até mesmo para legitimá-la. Esta prática possibilita o condicionamento dos indivíduos para negar a prestação dos serviços com igualdade e presumível negação da alteridade, já que sugere a exclusão de quem não possui relações sociais para justificarem o seu beneficiamento.
Esta incoerência entre as normas burocráticas e as regras da vida prática, induz a uma falta de bom-senso, que altera as regras de convivência em sociedade e permite a interferência das relações pessoais nas leis universais.
Isso é porque o Brasil está imerso em uma imensa crise ética. Mas não é apenas no congresso ou no senado. A crise está em todas as esferas da sociedade brasileira. Pode-se dizer que isso não é apenas fruto das falcatruas vigentes em Brasília, mas, resultado de um processo histórico que se deu ao longo de 500 anos.
Costuma-se dizer que o comportamento corruptor da sociedade é apenas resultado da falta de exemplo dos governantes. É possível ser o contrário. E seria hipocrisia não admitir isso. O Estado é que é o reflexo da sociedade. E a sociedade está apática. Não tem ética e nem vontade de encontrá-la.
Reconhecido nacionalmente como a forma especial que os brasileiros têm para resolver seus problemas, o jeitinho, foi transformado em rito e sua prática se amplia para ser utilizada em todas as situações conflitantes da realidade social.
Desde o principio, na terra de Santa Cruz, portugueses já colocavam em prática a troca de favores para driblar as dificuldades. Invadiram a terra dos nativos e os encantaram com pentes e espelhos enquanto saqueavam a terra alheia. E com o passar dos anos, os padrões culturais da vida colonial brasileira se reproduziram da mesma forma.
A construção da sociedade é um exemplo de como as relações sociais fundamentam a prática do jeitinho, carinhosamente chamado de brasileiro. A sociedade brasileira é coletivista por natureza e não foi fundada no indivíduo, mas nas relações pessoais.
Bom por um lado, o brasileiro não é exclusivamente egoísta. Por outro, vivencia-se somente aquilo que as suas relações pessoais lhe permitirem conseguir.
A desigualdade do país dá a idéia – e não só a idéia, mas a real formação – de injustiça social. E essa situação cria possibilidades para se formar mecanismos úteis a fim de driblar essa injustiça. A própria deficiência do sistema jurídico acaba transmitindo o desejo de caminhar na contramão das normas, quando convém. Tem sempre um jeitinho para fugir da burocracia, das filas intermináveis, da dificuldade para passar em um concurso público.
O jeitinho brasileiro é a transgressão suave já institucionalizada e aceita como característica fundamental e indispensável para o simpático e alegre brasileiro legitimar o seu poder diante dos outros. O seu problema é sempre mais urgente que o do vizinho. E isso, claro que somente isso, justifica que você fure a fila do supermercado.
O componente das relações pessoais que envolvem “capital” são interessantes. Acumula-se em termos de contato e influência. O antropólogo Roberto Da Matta diria: Seria como se as relações pessoais entre nós desempenhassem o papel do Judiciário nos países individualistas e igualitários. Como cabe ao Poder Judiciário dirimir conflitos a partir dos casos concretos, teríamos, no nosso caso específico, uma resolução “informal”, sem burocracia e rápida: através da “carteirada”, do jeitinho, da ameaça velada e do “você sabe com quem está falando?”
Da Matta chama a atenção para um dado que seria peculiarmente brasileiro na noção de pessoa: a troca de favores, o jeitinho, a “carteirada”. Em duas justificativas, a tendência à corrupção e à refração da lei geral. O mundo da política seria a esfera privilegiada dessa inclinação nacional, a qual não passaria despercebida aos “indivíduos”, aos homens comuns sem meios de troca nesse comércio generalizado de favores. O resultado não passa, porém, despercebido à massa brasileira que vê na atividade política um jogo fundamentalmente sujo, onde existe de tudo, menos ética.
Tem-se exemplos da própria mídia personificando a figura do malandro como um camarada muito esperto e que merece respeito. Nas novelas brasileiras sempre tem alguém assim. Durante a trama se envolvem em conflitos e através do jeitinho resolvem seus problemas pessoais. Ele viabiliza a utilização dos recursos ilícitos de uma maneira amistosa. Neste sentido, permanece como reforçador de comportamentos que visam ao benefício próprio, apontado geralmente, como justificativa para a institucionalização da malandragem.
Esse mecanismo de navegação social pode ser comparado ao uso das estratégias de negociação nos contratos sociais, em muitas vezes equiparado a um ajuste social para superar as dificuldades financeiras das camadas desprivilegiadas e a aceitação de certas transgressões como forma de protesto.
Nas massas e no individualismo há paradoxo quanto a esse assunto. Os agentes sociais se contradizem e relativizam a corrupção. Pode-se falar mal do governo, ou do próprio reitor da universidade em que trabalha, dizendo este ser um corrupto e, ao mesmo tempo, “furtar” o suco de um colega de trabalho. Também tem aquele que vive de passar cheque e depois “sustar” por “desacordo comercial”. O governante é chamado de corrupto quando faz caixa dois, desvia dinheiro público e sonega imposto, e de amigo quando manobra suas influências para abocanhar uma vaga no funcionalismo público. Nós, quando sonegamos impostos, estamos apenas nos protegendo de um Leão voraz.
Corrupção não está apenas no campo político, mas em toda a sociedade. E seria muita hipocrisia não admitir isso.
O Brasil enfrenta uma crise ética de grandes proporções e desta forma o desafio de preservar a integridade moral e o vencimento de obstáculos tornou-se necessidade constante na vida em coletividade.
Em função da prática generalizada, que faz parte do nosso dia-a-dia, a rigidez da honestidade acabou sendo domesticada e agora assume novas proporções. E esse tipo de atitude, que vem se expandindo, contribui para aumentar a desigualdade social e até mesmo para legitimá-la. Esta prática possibilita o condicionamento dos indivíduos para negar a prestação dos serviços com igualdade e presumível negação da alteridade, já que sugere a exclusão de quem não possui relações sociais para justificarem o seu beneficiamento.
Esta incoerência entre as normas burocráticas e as regras da vida prática, induz a uma falta de bom-senso, que altera as regras de convivência em sociedade e permite a interferência das relações pessoais nas leis universais.
terça-feira, 12 de junho de 2007
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